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Solidão de Viúvas e Viúvo em Tempos de Pandemia

Por Virgínia Taketani

O tempo vai passando e a gente vai se acostumando a conviver com a falta que nossos amores fazem em nossa vida. Mas, em momentos como esse em que somos postos em isolamento essa falta se torna ainda maior, principalmente para viúvos sozinhos, com filhos criados ou sem filhos e que ficarão sozinhos em suas casas como eu.

Fui ao supermercado abastecer a despensa visto que dentro de alguns dias ficaria confinada à minha casa, sem poder sair. Vaguei pelas gôndolas pensando no quê comprar. Não teve como não pensar no meu marido. Certamente teríamos planejado as compras junto e enquanto eu estaria preocupada com arroz, feijão e farinha ele estaria enchendo o carrinho com as gulodices que não poderiam faltar na vida dele.

Se iríamos passar semanas diante da TV o carrinho estaria cheio de pipoca,
chocolate, jujuba, paçoca, pão de mel… Ah! Que saudade daquela cara de criança sapeca comprando essas coisas!
Mas, ao contrário, era só eu empurrando o carrinho, lembrando de desinfetá-lo antes de pôr minhas mãos nele, decidindo o quê comprar e qual a quantidade necessária.

Ficar em quarentena com ele certamente seria divertido, apesar de toda a preocupação. Devoraríamos filmes e séries, passaríamos horas no computador em transmissões por vídeo para nos comunicarmos com filhos, netos, parentes e amigos, namoraríamos muito e ainda sobraria tempo para as coisas de cada um. Talvez até começássemos a brigar depois de alguns dias, mas nada que fosse durar. Posso ver essas cenas na minha cabeça e elas parecem tão reais!

Quanto mais avanço no processo de luto, apesar de todas as conquistas e de todas as lutas vencidas, mais eu sinto falta da sensação de estar protegida por ele. Agora mais do que nunca. Hoje sei que terei que lutar todas as batalhas sozinha, sejam elas interiores ou uma pandemia mundial.

Serão longos e solitários dias. Serão silêncios sem fim. Serão aqueles dias em que o vazio provocado pela ausência dele encherá todos os espaços e que o silêncio da falta da voz e da risada dele será ensurdecedor. Confesso que bate medo e angústia.

Haja escrita, leitura, meditação, exercícios, cuidados com a casa, vídeo conferências, mídias sociais, noticiários, filmes e séries para preencher todo esse tempo de isolamento.

Mas, sei que assim como sobrevivi até aqui e consegui começar, mesmo que a duras penas, a construção de uma nova vida, sobreviverei a esses tempos de dificuldades que estão por vir. Porque tudo passa. E isso também passará.

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