Acolhimento a viúvas e viúvos: seg. a sexta das 08h às 12h
Rua Barão de Paranapanema, n. 146, Bloco B, Sala 62, Bosque, Campinas - SP

Depoimento Tais

Olá! Me chamo Tais, sou viúva há 3 anos e gostaria de compartilhar minha história.

Eu e meu esposo nos conhecemos na rede social em 2011, após eu ter terminado um relacionamento. Começamos a conversar diariamente e em um dado momento da amizade, ele se declarou para mim. Eu pedi para que ele fosse só meu amigo, pois não estava preparada para um novo relacionamento e ele me esperou, foi muito paciente.

Aos poucos, ele foi me conquistando e depois de 1 ano de amizade começamos a namorar pela internet. Quando fiz 20 anos ele me deu uma viagem para Salvador de presente de aniversário. Assim que cheguei ele me pediu em casamento.

Durante os dias que passei em Salvador ele foi simplesmente maravilhoso, paciente, amigo, romântico… Um verdadeiro príncipe.

Um mês depois da minha viagem, ele foi até minha família e oficializou o pedido de casamento e começamos com os preparativos.

Em dezembro de 2013 fui morar com ele e em julho de 2014 nos casamos.

Éramos sempre muito amigos e companheiros. Nos respeitávamos bastante e tínhamos um lar de comunhão e paz. Para nossos amigos éramos uma referência.

Eu tinha o sonho de ser mãe, então assim que casei comecei a planejar a gravidez e fazer os exames. Em setembro ele entrou de férias e começamos a tentar o nosso bebê. Em outubro descobri que estava grávida e começamos a planejar nossa vida a três.

Estávamos muito felizes, descobrimos que teríamos um menino, toda nossa família vibrava pela chegada do nosso bebê.

Em fevereiro de 2015, fomos fazer algumas coisas na rua, eu tinha por volta de 5 meses de gravidez e estávamos de moto. Chegamos em casa por volta de meio dia, almoçamos e ele foi fazer um favor para um amigo e eu fiquei descansando.

No trajeto para onde ele iria, um carro fechou ele no trânsito e prensou o pé direito dele entre a roda do carro e a moto. Ele foi para o hospital, onde foi atendido, imobilizado e liberado.

Foram 1 mês e 5 dias de cuidados, ajudava ele em tudo de manhã até a noite, minha barriga cresceu muito, pois eu já estava chegando no sexto mês, pés e mãos inchavam, mas eu o ajudava em tudo, com muito amor.

Em março de 2015, ele começou a se sentir mal e não sabíamos o que era. Fomos na emergência duas vezes após ele ter tido uma convulsão, nunca encontraram nada.

Dia 15 de março acordamos, como sempre ele fez meu café, ainda imobilizado, ficou pela manhã no computador, enquanto eu preparava o almoço. Parecia um domingo normal. Era aniversário de 1 ano da nossa sobrinha e a família estava preparando a festinha, que seria a tarde.

Ele estava bem cansado, mas resistente.

Tomava os remédios que os médicos haviam passado, mas nada tinha ajudado muito até então.

Às 14h ele foi tomar banho para almoçarmos, e aí começava o pior dia da minha vida. No banheiro ele passou mal, com muita falta de ar, suava frio, de uma hora pra outra ficou péssimo.

Ia chamar ajuda, mas ele pediu pra deitar um pouco, que queria descansar, e assim ajudei ele a deitar para se recompor.

A tarde ele acordou e constatei que ele ainda não estava bem, então chamei ajuda.

Fomos direto para o hospital, um colega nos levou e uma tia foi me acompanhar.

Chegando no hospital ele foi logo atendido, diagnosticaram uma trombose, logo depois uma embolia pulmonar aguda. Ele foi levado a UTI para tratamento e no momento que a médica me tranquilizava dizendo que ele era saudável, que os exames clínicos dele estavam bons e que ele tinha muitas chances de se recuperar, da unidade de terapia ligavam informando que ele estava tendo paradas.

Assim que cheguei na UTI recebi a notícia que ele havia partido e eu não sei explicar o que senti.

É como se tivessem me tirado o chão e o horizonte e eu tivesse caído em um buraco.

Nunca imaginei que viveria uma experiência dessa. Imaginei que viveria uma vida inteira com meu esposo, que criaríamos nosso filho, teríamos mais um filho, viveríamos experiências juntos…

A sensação que eu sinto a todo momento é de que não vivi tudo que tinha que viver ao lado dele.

Hoje tenho um filho lindo que nunca vai conhecer o pai maravilhoso que teve e eu ainda não sei lidar com essa situação.

Ainda sinto muita saudade! E muito amor.

Foi muito difícil entender o motivo de Deus ter tirado ele de mim tão repentinamente. Eu me entendia muito com Ele. Um dia eu li uma passagem bíblica, Isaías 57, 1-2, achei descanso nesses versículos. Ainda não entendo, e quando começo a pensar, começo a sentir uma revolta. Então prefiro pensar que Deus sabe o que faz. E que seus planos são maiores do que minha mente pode entender.

Três meses após eu ter perdido meu esposo, dei à luz ao nosso primeiro filho e toda a mistura de acontecimentos me deixou muito vulnerável. A perda de um ente querido não termina quando o enterramos. Para reorganizarmos a vida, temos que passar por muitas burocracias, documentação e relembrar torna tudo bem mais difícil. Então, ser recém viúva, ter que cuidar das responsabilidades sozinha, mãe de primeira viagem, eu me sentia muito sozinha e carente. Meu pior pesadelo era que um dia meu filho perguntasse do pai ou sentisse falta. Eu nunca consegui me preparar para isso.

Quase um ano após meu esposo ter falecido eu já tinha passado por muita coisa, privações, depressão, medo do futuro, fiquei com ansiedade, as vezes eu pedia pra Deus me levar também porque eu precisava descansar de toda aquela fase difícil. A carga emocional e física era muito pesada. Eu sentia que ficaria louca a qualquer momento.

Eu não tinha intenção nenhuma de me relacionar novamente, até porque eu tinha muito medo de perder alguém de novo. Mas foi tudo tão natural que, simplesmente aconteceu. No começo foi muito difícil eu me aceitar nessa situação, porque ainda doía muito e eu tinha medo de esquecer o que eu sentia por meu esposo, caso eu gostasse de outra pessoa. Hoje eu entendo que cada pessoa é amada de uma forma especial.

Mesmo assim, encontrei muitas dificuldades. Precisei reaprender. A dor me tornou dura, áspera, e eu fazia muitas comparações. Precisei procurar um psicólogo para me ajudar. Hoje, já com dois anos de relacionamento, amo muito meu novo companheiro. As lembranças do meu esposo nunca se apagam, o sentimento, a saudade e as experiências vividas sempre vão estar dentro do meu coração. Mas eu aprendi que o melhor remédio é o amor. E que a gente pode ser feliz outra vez. E que uma experiência de dor não determina o restante de uma vida. Eu ainda choro, sinto falta, amo incondicionalmente, mas eu sei que ele está em paz e que tudo que ele mais desejaria é que eu e nosso filho estivéssemos bem também.

Nosso filho é muito amado por essa nova pessoa, a solidão já não existe mais. Não tenho tudo que amo, não foi assim que eu pensei que seria, mas aprendi a amar o que tenho hoje e ser grata por todas as experiências que fizeram de mim quem sou.

A imagem que muito tem a ver com minha história é essa. Significa florescer no deserto. E eu acho que nós viúvas somos assim, renascemos em meio à sequidão, vencemos as barreiras que a vida nos impôs e florescemos após o deserto, muito mais fortes e experientes.

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