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Depoimento Rita

Durante muito tempo eu ensaiei escrever meu relato para a Acolhe, porque me faltavam

palavras. Não só palavras, me faltava o ar, me faltava o chão. Me faltava tudo.

Fui casada com o Leandro (Lê) por 12 anos. O Lê apareceu em minha vida num momento em que eu estava descrente de tudo. Ele mudou tudo em mim. 

Minha alma gêmea. 

Éramos cúmplices.

O Lê sempre gostou de cozinhar, autodidata na gastronomia, teve um blog de culinária, o Cozinha Pequena. Nosso pequeno apartamento era palco dessas aventuras.

Sempre quis ter seu próprio negócio, e em janeiro de 2018 realizou seu sonho. Seu bar. Abriu o Tap Tap em sociedade com seu amigo-irmão Carlos, o “Véio”. Um sucesso desde o primeiro dia. Nunca trabalhamos tanto! Falávamos que 2019 iriamos descansar. Que tudo iria melhorar.

2019 chegou esquisito. Natal e Ano Novo no hospital…uma doença no fígado sem muita explicação. 

20 dias depois, nova internação. Dois meses no hospital. Idas e vindas para a UTI. Síndrome Hepatorenal. Falência do fígado e dos rins. Hemodiálise.  

Grave.

Muito grave. 

Ouvi pela primeira vez que havia risco de morte. Mas também havia a esperança da cura. Um transplante duplo de rim e fígado que seria a salvação de tudo. Chegou a ter alta e em casa eu vi que nosso relacionamento ia além do homem-mulher…no final ele virou meu filho.

O Lê ficou muito debilitado. Precisava de cadeira de rodas para se locomover. Perdeu muito peso. 

Era como se ele escapasse por entre meus dedos. Sabe quando você pega areia com as mãos? Você coloca uma mão por baixo da outra e vai tentando segurar, mas tudo vai caindo…foi assim com o Lê.  Nova Internação, UTI, exames, hemodiálise, consultas,  mais Uti. 

Morte.

O Lê se foi em 27de agosto de 2019. Nesse dia, pela manhã, o médico me disse que dali por diante seriam só medidas de conforto. Chorei, me revoltei. Como assim? Ele só tinha 38 anos…não se morre com 38 anos!

Para.

Respira.

Não pira.

Eu acreditei na cura. Acreditei que seríamos[u1]  agraciados por um milagre. Tantas pessoas são, por que meu marido não seria? Eu fiquei num estado de negação que beirava a insanidade, mas hoje eu sei que era instinto de sobrevivência. 

Ele vai ficar bem.

Não desista.

Lute.

Não morra.

Nunca pensei que atravessaria esse deserto chamado luto. No começo é como ser anestesiado. As pessoas falavam comigo e eu parecia estar num filme. Espectadora da minha própria vida. Depois começa a real travessia desse vale.  

É como se afogar num mar de águas viscosas. Você tenta submergir, mas não consegue.

Cair em queda livre.

Sobreviver ao tsunami. É tentar entender aquilo que não tem explicação. 

Eu, na minha incessante busca por repostas sigo me perguntando se fiz o suficiente.

Nunca terá sido o suficiente. 

E após um ano e um mês nesse terreno hostil chamado viuvez, sigo tentando conviver com essa ausência tão latente. 

O silêncio virou meu companheiro, junto com minhas amiguinhas lágrimas. 

O Lê sempre vai fazer parte da minha vida. Não importa o que aconteça daqui para frente. Não importa onde eu ande. 

O Lê sempre estará vivo em mim.  Sempre. Te amo Mozi.

Rita

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