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Depoimento Michele

Olá

Meu nome é Michele, perdi meu marido em 18/12/2016, em um acidente de esporte radical, Bungee Jump, na cidade de Mairinque, onde meu filho Nicolas de 6 anos na época e eu estávamos presentes, estou aqui dando meu depoimento para falar como foi no dia, o depois e como está sendo minha vida hoje.

No dia do acidente, quando tudo aconteceu, eu estava filmando o salto dele, foi tudo muito rápido até demorei um tempo para entender o que tinha acontecido, quando percebi a única coisa que pensava era em chegar até ele e o caminho para chegar era um pouco distante, pois estávamos em cima de uma ponte onde havia uma linha de trem.  Me lembro que nesse tempo, que eu corria, tantas coisas passavam pela minha cabeça. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo, ao mesmo tempo, tentava me preparar para o que eu pudesse encontrar quando chegasse até ele, mas a esperança dele estar bem, sempre estava junto de mim.

Quando cheguei, ele estava desmaiado, sem reação alguma. O irmão dele ficou fazendo massagem cardíaca até a ambulância chegar, o que demorou 40 minutos, nesse tempo eu só pedia para Deus, por favor, para que ele ficasse bem, tentando conter meu desespero para que meu filho não percebesse a gravidade, quando a ambulância chegou, colocaram ele dentro e eu fui junto para o hospital.

Nesse tempo, até a chegada ao hospital, os paramédicos foram fazendo o possível para reanimá-lo, foi quando ali, tentaram entubá-lo e vi a dificuldade para abrir a sua boca, naquele exato momento minha ficha começou a cair. Quando chegamos ao hospital, desceram rapidamente com ele, pois estava com parada cardíaca. Fiquei sentada no banco de fora do hospital, sozinha, esperando meu cunhado, minha cunhada e o Nicolas que estavam vindo de carro, ali não estava acreditando que aquilo estava acontecendo. Foi quando a médica veio e deu a notícia que ele tinha falecido, naquele momento meu mundo desabou, ao mesmo tempo que eu queria desabar, eu tinha que ter forças pelo meu filho e também para resolver toda burocracia de B.O, funerária, IML para liberação de corpo. Então nesse momento, eu agia meio que por impulso, tive que chegar até meu filho e contar que o pai tinha ido morar com o papai do céu e que não iria voltar para casa conosco. Neste momento ele chorou um pouco, mas logo depois agia como se nada tivesse acontecido, a não ser pelo fato de me consolar, onde chegou até me falar para esquecer que o pai morreu, pois eu tinha chorado o dia todo, isso já no caminho de volta para casa.

Lembro que nesse dia o calor estava tão forte, não havíamos comido nada o dia todo e realmente a gente fica mesmo anestesiada, pois eu não sentia temperatura nenhuma, não sentia fome e nem sede, mas uma coisa que eu sentia e tinha era fé, pois apesar de tudo que estava acontecendo Deus estava ali presente. Só de ver a reação do meu filho, a compreensão dele diante da morte e a preocupação dele em me ver bem.  Fico pensando e se eu tivesse que enfrentar a dor e o desespero dele naquela hora como seria? passei por tanta coisa em apenas um dia, vi imagens que jamais sairão da minha cabeça, mas dessa tragédia toda que aconteceu eu consegui ver como eu era amada, quanto apoio eu tive no velório, mesmo apesar de estar meia avoada, devido o que estava vivendo, eu percebia o amor das pessoas por mim e por ele. Se as pessoas soubessem o quanto isso importa o quanto isso ajuda nessa hora, só um abraço, só o fato de estar ali, e ali eu percebia a presença de Deus novamente.

Fiquei um tempo na casa da minha irmã, pois não tinha coragem de voltar para casa, mas um dia, acho que na segunda semana, resolvi voltar, tinha que enfrentar aquilo. Não foi nada fácil. O luto não é fácil, exige muito de nós. É uma luta diária, um dia após o outro, pois temos tantas coisas a enfrentar, a saudade, a rotina, a solidão, os sonhos, os planos que somos obrigados a mudar, mas uma coisa eu tenho certeza, com fé tudo fica mais fácil.

O luto será vivido por muito tempo, mas procurei me ajudar nessa luta, mudei minha rotina, comecei a fazer academia ao sair do serviço, pois assim chegaria em casa já cansada e com as tarefas ocuparia minha mente, procurei uma religião que me ajudasse a compreender tudo aquilo que estava vivendo e tinha meu filho que dependia e depende de mim, então uma força surge da gente, uma força que nem eu imaginava que existia, claro que havia meus momentos de tristeza, meus momentos de chorar escondida no banheiro, ou as vezes não importava o lugar as lágrimas vinham.

Ainda sinto a dor da saudade, mas hoje, a saudade já puxa mais para as boas lembranças, eu acredito que tudo nessa vida tem um porque, mesmo que não compreendemos, tudo tem um propósito, talvez um dia descobriremos ele ou não, mas temos que seguir em frente e esse seguir em frente depende da maneira que vamos lidar com toda situação, temos que nos apegar na fé e no amor que recebemos da pessoas, com isso tudo se torna mais leve e com o tempo as coisas vão se ajeitando.

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