Acolhimento a viúvas e viúvos: seg. a sexta das 08h às 12h
Rua Barão de Paranapanema, n. 146, Bloco B, Sala 62, Bosque, Campinas - SP

Depoimento Mariana Cardillo Antonialli Monti

Chegou o momento de eu contar a minha história para vocês. Duas histórias em uma. Duas histórias sobre o luto e sobre a capacidade de nos reinventarmos.

Em 1998 conheci o Elder em uma gincana da escola da minha prima. Foi amor à primeira vista, aquela coisa bem adolescente, intensa, porém curta. Morávamos em cidades diferentes e ficamos sem nos ver por 11 anos. Durante esse tempo cada um seguiu seu caminho, cada um evoluiu da maneira que precisava e por um acaso voltamos a nos encontrar em 2009 e
engatamos em um relacionamento para a vida toda em 2010. Além de ser meu namorado e posteriormente o meu marido, o Elder foi o meu melhor amigo, meu confidente, meu alicerce.

Em nosso relacionamento não importava muito o que iríamos fazer, o que importava é que estávamos juntos e isto bastava. Casamos em 2013 e em 2015 definimos que seria o momento de aumentarmos nossa família, este era um desejo dele, que foi aos poucos me conquistando. Precisamos adequar nossas vidas e rotina para quando a Cecília chegasse. Decidimos que eu largaria a minha carreira em São Paulo e me mudaria para Amparo, afinal, criarmos nossa pequena juntos, era a coisa mais importante, queríamos passar para ela valores fortes de família, afeto, do “ser”, que o ser é muito mais importante que o “ter”. E assim caminhamos para uma nova vida.

Me mudei para Amparo 15 dias antes da Cecília nascer. Iniciamos nossa rotina com uma bebê pequena com muito carinho, afeto e cansaço (risos). Uma noite, quando eu estava dormindo, o Elder me acordou dizendo que não estava se sentindo bem. O coração dele estava disparado e ele não sabia exatamente o que estava acontecendo. Era madrugada e a minha sogra levou-o ao hospital. Após mais de 20 dias na UTI, passando por uma cirurgia para implementar um desfibrilador interno ele saiu do hospital. E começamos a viver ali uma nova fase, enterramos naquele momento o Elder que corria, nadava, jogava bola, andava a cavalo. Morreu naquele
momento o Elder sem limitações e nasceu o Elder que apesar das limitações queria muito viver, que queria mais do que tudo estar próximo da família e amigos e queria muito ver a Cecília crescer.

Durante o primeiro ano após a doença conseguimos levar uma rotina relativamente boa, acreditávamos muito que tudo estava sob controle e que a situação não se agravaria. Já no final de 2017 começamos a viver uma rotina não tão positiva assim. As internações se tornaram mais regulares, as limitações aumentaram, mas a esperança continuava alimentando nossos sonhos e planos. Acreditávamos que um novo medicamento ou um novo procedimento iria de uma vez por todas resolver os desconfortos causados pela arritmia e seguimos acreditando até o final.

Em julho de 2018 o Elder teve uma parada cardiorrespiratória em casa, fiz de tudo o que eu podia, contei muito com a ajuda dos meus vizinhos que me ajudaram intensamente para que a história do Elder não terminasse naquele momento.
Desde aquele dia, vivi os 31 dias mais intensos e difíceis da minha vida. Fazia qualquer coisa que fosse possível para poder tirá-lo daquela situação. Sabia recitar de trás pra frente todas as internações, medicamentos e rotinas pós doença. Fiz tudo. Rezei. Implorei. Fiz campanha por doação de órgãos já que esta era a única e última alternativa que ele tinha. Supliquei. Insisti. Persisti. Consegui conversar com ele conscientemente por um dia neste período, disse o quanto eu o amava e que eu estava e estaria ao lado dele, lutando com ele e lutando por ele. Neste mesmo dia ele teve um AVC, que o retirou da lista de transplante e quase acabou com as minhas esperanças. Mesmo assim eu continuei suplicando, insistindo e persistindo para que todos os exames fossem feitos e ele pudesse voltar para a lista. Mas um novo AVC veio e depois mais um.

A infecção já não estava sendo controlada e eu parei de suplicar, insistir e persistir. Eu me despedi. E aos 35 anos ele partiu. Simples assim. Deixou para trás nossos sonhos e planos, mas também deixou um legado de muito amor e respeito. Acima de tudo me deixou uma família. Aqui estou seguindo, reaprendendo a viver na ausência dele, reaprendendo a priorizar o que na vida é importante e reaprendendo a lidar com todos os aspectos que a falta dele me causa. Lutando para que o futuro seja tão brilhante quanto o futuro que planejávamos juntos.

A saudade me consome, mas a certeza de que um dia estaremos todos juntos novamente me alimenta. O tempo acalma o coração e vem transformando em saudade o que antes era só desespero. Sigo reaprendendo…

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