Acolhimento a viúvas e viúvos: seg. a sexta das 08h às 12h
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Depoimento Marcela

Meu nome é Marcela, sou mãe da Laura, hoje com 10 meses, e viúva há 1 ano e 1 mês. A foto é do meu casamento: meu marido, eu e nossa filha em meu ventre.

Conheci o Renato em 2015,  em um curso técnico em enfermagem. Achava ele o “chato da turma”, porque ele sempre tinha alguma história com algum amigo dele sobre algum assunto abordado em aula. Um dia, uma amiga nossa em comum me disse: “Você nunca percebeu como o Renato te olha?” Respondi que não, e sem pensar, o chamei pra conversar via messenger. No mesmo dia ele me chamou pra sair, mas só saímos juntos dois dias depois. Saímos pra tomar um lanche, e na hora de voltar pra casa, ele insistiu em me acompanhar, eu na minha moto e ele na dele. Chegando em casa, ele me beijou no portão e não nos desgrudamos mais. Noivamos no dia dos namorados de 2017, engravidei um mês depois e o casamento que seria em 2018 foi adiantado pra novembro de 2017.

 O Renato estava tão feliz, tão empolgado com nossa vida juntos, com a chegada da Laura, com o novo emprego. Nos casamos em uma cerimônia simples, com a nossa cara, mas cheia de amor.

 Na manhã de Natal do mesmo ano, eu acordei, tomei um remédio e me levantei. Nisso, ele despertou e olhou pra mim. Nos olharíamos pela ultima vez. Saí do quarto com meu marido vivo. Fui ao banheiro, depois fui pra sala, pra cozinha, arrumei a mesa pra tomarmos café, fui pro quarto que seria da nossa filha. De lá ouvi um barulho, parecia que ele estava roncando, mas o barulho era alto demais. Fui até nosso quarto, chamei ele da porta, ele nao respondia. Me aproximei, vi seus olhos arregalados e o barulho não era ronco. Ele estava agonizando, tentando respirar. Meu marido teve um infarto fulminante na manhã de Natal de 2017, na nossa casa, no nosso quarto. Eu estava grávida de 25 semanas. Corri pedindo ajuda de vizinhos, um deles fez massagem cardíaca no Renato enquanto os paramédicos nâo chegavam. Assim que eles chegaram, foram 40 minutos de tentativas de reanimação, 11 ampolas de adrenalina e eu de longe, vendo tudo aquilo, sem poder fazer nada. Eu vi meu marido morrer, 52 dias depois do nosso casamento. Vi todos nossos sonhos, nossos planos irem embora de forma tão brutal. Minha filha não teve a chance de conhecer o pai.

Voltei pra casa dos meus pais logo em seguida, porque não tinha a menor condição de continuar no apartamento. Minha filha é linda, saudável, parece comigo, mas tem todo o jeito do pai. Uso minha aliança junto com a aliança dele até hoje, não como um sinal de viuvez, mas porque a aliança se tornou um símbolo de força pra mim, é como se meu marido me dissesse: “eu tô aqui com você, não desanima”. Não é fácil! A viuvez é pesada demais, a maternidade solo é pesada demais. Tem dias que tenho vontade de sumir, mas minha filha precisa de mim. Ela é metade dele e eu estou viva, pra honrar meu casamento e meu marido.

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