Acolhimento a viúvas e viúvos: seg. a sexta das 08h às 12h
Rua Barão de Paranapanema, n. 146, Bloco B, Sala 62, Bosque, Campinas - SP

Depoimento Luciana

Sou Luciana Campos, fiquei viúva aos 38 anos, em agosto de 2013.

O Fabiano, meu marido, era bastante saudável. Porém, em 2010, durante exames de rotina e sem apresentar qualquer sintoma, seu hemograma estava alteradíssimo. Foi diagnosticado com Leucemia Mielóide Crônica.  Durante 2 anos tomou remédio via oral e desfrutou de uma vida absolutamente normal. A doença permaneceu controlada com este tratamento.

Entretanto, em agosto de 2012, após uma forte dor muscular no braço e episódio de febre, foi internado e tivemos a notícia da evolução da doença. Era necessário um transplante para salvá-lo. Durante os 12 meses seguintes ele foi muito valente. Revezava períodos em casa e internado.  Ao todo, ficou 210 dias no hospital, entre idas e vindas. Fez químios constantes para que a doença permanecesse em remissão à espera do transplante. E foi isso que aconteceu. Encontramos uma doadora 100% compatível em Seattle, EUA. Digo que a notícia causou uma felicidade imensa para nós da família, mas ele, em especial, ficou radiante com a possibilidade da cura.

O transplante transcorreu conforme o esperado e a medula “pegou” dias depois. Porém, após uma complicação respiratória foi levado para a UTI de onde não mais saiu com vida. Ele nem teve tempo de perceber que as coisas não estavam bem. Meu consolo é que fez a passagem como vitorioso.

O mais impressionante no Fabiano é que, durante os 3 anos da doença, eu nunca o vi reclamar de nada, questionar por que com ele, falar sobre morte… absolutamente nada! Era a paciência em pessoa e muito espiritualizado.

Na época do falecimento, nossa filha Mariana tinha 6 anos. Foi muito difícil ver a família diminuir. Éramos três e passamos a ser duas. Mas decidimos seguir a vida, uma dando força para a outra. Falamos sobre ele sempre e nos divertimos com suas histórias.

Depois desses quase 6 anos, a dor deu lugar à saudade e a ferida fechou, após ser muito bem tratada. Existe uma cicatriz que carregaremos para o resto das nossas vidas, mas ela é delicada e fina. Não passa desapercebida porque um dia já foi uma ferida, mas por outro lado não causa mais dor, compreendem?

Tenho certeza que o “tratamento” da ferida teve êxito porque fizemos a opção correta de “tocar a vida”,  caso contrário ela estaria ainda aberta, mais profunda e causando uma dor insuportável.

Quase dois anos após o falecimento do Fabiano, amigos em comum me apresentaram o Alexandre, recém viúvo e com um filho de 7 anos. Nos aproximamos para eu auxiliar o Alê a entender como lidar com o luto do filho. O Thomas começou a frequentar minha casa, fazer passeios comigo e com minha filha e, espontaneamente pediu para me chamar de madrinha. Tempos depois, com a convivência e pelas histórias de vida parecidas, eu e o Alê nos aproximamos e começamos a namorar. E assim formamos uma nova família, hoje composta por 6 pessoas: 4 aqui na terra e 2 lá no céu.

E como me desejou o fantástico médico do Fabiano, Dr. Pedro, após o falecimento:  ” Luciana, espero que um dia você possa voltar a rir, e não apenas a sorrir”.

Sim, é possível voltar a RIR, acredite nisso!

Portanto, a mensagem que eu quero passar é que a vida nos apresenta dificuldades que nem sabemos se seremos capazes de enfrentar e suportar. Mas faça a opção de tocar a vida com alegria rodeado por sua família, seus amigos, seu trabalho, seus filhos, e a vida se encarregará dos próximos caminhos.

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