Acolhimento a viúvas e viúvos: seg. a sexta das 08h às 12h
Rua Barão de Paranapanema, n. 146, Bloco B, Sala 62, Bosque, Campinas - SP

Depoimento Juliana

Namorei 5 anos, fui casada por 11 anos e 16 anos juntos. Em 2009 decidimos ter um filho, tentei engravidar por 1 ano e 3 meses até vir nosso presentinho o Pedro.

Trabalhei desde meus 13 anos (sempre amei trabalhar), até que conheci o amor de Deus, e minha vida foi transformada por esse amor.

Em 2016 Deus pediu meu emprego e fiquei sem entender, mas obedeci. Meu casamento não era aquele “casamento feliz”, tínhamos muitos problemas, eu achava que eu era a melhor esposa do mundo e ele o pior marido do mundo (não me julguem), não tínhamos muita amizade.

Quando parei de trabalhar, passei a olhar a minha família com outros olhos, comecei a perceber que eu falhava muito como esposa, passamos por várias provações e durante esse processo descobri uma traição, mas Deus em sua infinita bondade já estava me curando e restaurando nosso lar. Eu perdoei e a partir daí nosso relacionamento foi se construindo de uma forma diferente, e nos dois começamos a mudar.

Em 2016 decidimos tentar uma menininha, 1 ano e 4 meses fomos “tentantes” até que a maravilhosa notícia chegou, estava grávida novamente, ficamos radiantes. Cada dia estávamos mais próximos de Deus, nesses 11 anos de casados, fomos aprender a ser feliz no casamento esses últimos anos juntos.

Ele sempre foi apaixonado por moto e eu andava com ele para agrada-lo, mas depois que sofri um acidente (fui parar embaixo de um caminhão) e nunca mais quis andar de moto, ele chegava achar engraçado esse meu trauma, pois ele já tinha “quase morrido” por várias vezes, vários acidentes graves e nada de parar de andar.

Ele trabalhava das 15hs às 0hs, por volta das 0:20hs já estava em casa.

Nossa rotina era assim: eu levava o Pedro para escola, chegava em casa, acordava ele, tomávamos café da manhã juntos (esse era nosso momento de conversas, brincadeiras e muita risada) ele tinha um senso de humor maravilhoso, ele treinava, buscava o Pedro na escola às 12h e almoçávamos todos juntos . Após o almoço ele gostava de tirar uma soneca antes de voltar a trabalhar. Enquanto isso eu cuidava das tarefas da casa.

No dia 28/08/2018 não foi diferente minha rotina, levei o Pedro para escola acordei o Weslei e tomamos café da manhã, ele saiu para treinar e quando retornou às 12h almoçamos juntos, nesse dia falei para o Pedro que estava friozinho, então decidimos dormir um pouco com o papai. Ficamos os três na cama abraçadinhos embaixo da coberta, nesse dia a bebê não estava mexendo muito, quando ele saiu para trabalhar eu comentei com ele, “nossa amor, ela não está mexendo hoje” ele ajoelhou, abraçou a minha barriga e disse: “mexe filha, para mamãe não ficar preocupada” e ela chutou a mão dele, e ele me disse: “está vendo amor, está tudo bem, ela só está com preguiça”.

Ele foi trabalhar, sempre nos falávamos a tarde pelo whatsApp, muitas brincadeiras e palhaçadas (amo olhar nossas conversas que estão todas salvas), antes de dormir eu sempre mandava uma mensagem de boa noite, mandei a mensagem e fui dormir. Acordei as 3h e percebi que ele não tinha chegado.

Fui para sala e comecei a ligar pra ele, liguei sem parar das 3h até às 4h, estava muito preocupada, até que me ligaram da polícia, perguntaram se eu era familiar do Weslei respondi que sim, o policial pediu para eu comparecer no 1º DP e ir acompanhada de um familiar, eu logo perguntei “está tudo bem com ele?”, mas ele respondeu “informação só pessoalmente”. Naquele momento passou várias coisas pela cabeça, menos a morte.

Liguei para minha irmã que mora ao lado do meu apartamento, expliquei a situação e pedi para ela ficar com o Pedro, e meu cunhado me acompanhar até 1º DP.

Chegamos na delegacia, nos identificamos e o policial que nos atendeu chamou meu cunhado no conto e conversou com ele, meu cunhado veio em minha direção, nesta hora eu me desesperei e então eu perguntei chorando: “Sandro aonde ele está?”. Ele me abraçou e disse: “você precisa ser forte, ele não está mais conosco!”.

Meu mundo caiu, eu perdi o chão.

Por um momento esqueci a minha dor e só pensava na minha sogra e no meu filho, passei duas horas naquela delegacia pedindo ajuda de Deus para dar essa notícia da maneira mais “leve” possível enquanto meu cunhado cuidava de toda burocracia.

Fui para casa da minha irmã, sentei no sofá, peguei meu filho no colo e disse pra ele: “filho, papai sofreu um acidente e ele não resistiu aos ferimentos e agora está morando lá no céu”.

Ele perguntou “meu pai morreu mãe?” Eu disse sim!

A menos de um mês perdemos nosso cachorrinho que estava muito velhinho, quando percebemos que ele iria partir, conversei muito com o Pedro sobre a morte. Expliquei que as plantinhas morrem, os animais e as pessoas também, então ele já sabia o que significava a morte.

Quando dei a notícia ele não chorou imediatamente, então fomos pra nossa casa e chagando ele me perguntou: “eu não tenho mais pai, mãe?” Eu respondi: “tem sim filho, mas agora ele mora lá no céu”.

Naquele momento ele chorou e disse: “meu pai era o melhor pai do mundo, por que ele morreu mãe?”. E eu disse que algumas coisas eu não conseguiria explicar, porque também não entendia.

Expliquei para ele o que era o velório, e se ele queria ir se despedir do papai, eu disse que ali não tinha mais vida, era só o corpo do papai.  Confesso que estava com muito medo de como ele estaria visivelmente, pois caiu um fio de telefonia no momento que ele estava passando e cortou o pescoço dele.

Então fomos para o velório, quando o caixão chegou eu estava sentada e o Pedro do meu lado, levantei e fui até o caixão, peguei o Pedro no colo e ficamos por algum tempo chorando e as pessoas tentavam tirar ele do meu colo por eu estar gestante, mas naquele momento eu não deixei, o Pedro colocou a mão nele e perguntou porque o papai estava duro e gelado e em seguida fez um carinho em seu rosto e saiu, meus familiares levaram ele no parquinho e ele conseguiu se distrair.

Sem dúvida nenhuma, esse foi o pior dia da minha vida!

Ele faleceu em uma quarta-feira, minha irmã dormiu na minha casa até domingo e na segunda-feira o Pedro voltou para a escola e tentamos recomeçar nossa vida, essa foi a pior semana da minha vida. Como doeu acordar sem ele, tomar café sozinha, almoçar só nós dois.

Muito choro, muitas lembranças.

Optamos por não tirar as fotos dele de casa, não sair da nossa casa e viver esse luto, viver esse momento.

Hoje minha bebê está com 6 meses, o Pedro tem uma maturidade que me surpreende sempre.

Hoje entendo porque Deus pediu meu emprego lá atrás, foi a melhor fase da minha vida!

Gratidão pelos filhos que ele me deixou! Gratidão pelos momentos que vivemos juntos!

As terapias têm nos ajudado, e estamos aqui vivendo um dia de cada vez.

Ainda anseio pela hora que essa saudade pare de doer tanto.

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