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Depoimento Edmar

Meu nome é Edmar, tenho 33 anos e há 11 anos vivia com a Anne, uma mulher maravilhosa, de risada fácil e um coração gigante.

Onze anos atrás ela se mudava para Vassouras para cursar farmácia. No seu primeiro dia na cidade a conheci e desde então ficamos juntos até o dia 27 de maio deste ano.

Tivemos momentos difíceis juntos, dois jovens aprendendo a conviver e viver no mesmo teto, mas ao mesmo tempo, tivemos momentos que nunca mais vou esquecer. 

Sempre um impulsionando e encorajando o outro. Mesmo nos dias difíceis, só de ver o sorriso dela, já fazia meu dia melhorar totalmente.

Era um sonho em comum ter a nossa família e há 3 anos estávamos tentando engravidar. Fizemos tratamentos que no final foi doloroso pela frustração de não conseguir. Só que no mês de outubro descobrimos que ela estava grávida e foi inesperado, mas ao mesmo tempo era tudo o que queríamos.

Compramos cada roupinha juntos, pensamos em cada detalhe, tudo com muito carinho e até hoje posso lembrar do sorriso dela escolhendo o berço.

Tudo estava ótimo! Com a pandemia ela começou a fazer home office e eu também. Tínhamos um medo enorme da Covid.

Eis que chega maio. 

Tenho uma vó que mora sozinha em outra cidade e eu fui num final de semana para fazer o mercado para ela e pagar suas contas. Nesse mesmo final de semana minha sogra e minha cunhada vieram e fizeram a Anne sair um pouco de casa. 

O que não estava nos planos foi que as duas estavam com covid e infectaram minha esposa. Elas trabalham em escolas que tinham pessoas suspeitas de ter contraído.

Passou alguns dias e minha esposa fez o teste e deu positivo, já tinha alguns sintomas de febre e dor do corpo. Acabei contraindo também, mas sempre tentei me manter forte pra cuidar dela. Até que em uma terça fomos ao pronto socorro pois ela estava se sentindo muito mal. Passou a noite lá e acabou sendo transferida para outro hospital onde foi internada imediatamente.

O obstetra de plantão disse que teria que fazer a cesariana urgente para preservar a saúde do bebê. 

Minha esposa sempre tinha o sonho de ter o parto humanizado e estava fazendo acompanhamento com o Dr. Arthur e esse anjo fez questão de fazer o parto dela mesmo não sendo do jeito planejado.

Então, tudo piorou. Ela ficou muito debilitada e acabou sendo entubada. Por outro lado, eu, não pude ver o parto por também estar com covid e acabei internado por 10 dias.

Desde que tive alta foram 15 dias de aperto no coração, de incertezas e muito sofrimento.

Uma noite, a enfermeira que cuidava dela na UTI que é amiga nossa me pediu para enviar um áudio com o choro do neném e uma mensagem minha. 

Na manhã seguinte, depois de escutar os áudios, minha esposa deixou esse plano. Enfim descansou, após saber que o nosso filho estava bem e eu estava ali cuidando dele.

A primeira coisa que pensei quando soube foi que nunca mais ia ver aquele sorriso, que recarregava minhas energias e me fazia o homem mais feliz do mundo.

Hoje eu crio meu filho sozinho (apesar de ter ajuda da minha vó com a casa) e tenho esse desafio de fraldas, mamadeiras e noites em claro.

Tem dias que tenho raiva, ódio e revolta no coração. Tem dias que tenho gratidão por ela ter dividido esses 11 anos da vida comigo e ter me feito um homem melhor ao ponto de ser pai do filho que ela tanto queria.

Eu choro todos os dias, sinto o perfume dela pela casa e procuro não ficar triste por ela e pelo nosso filho.

O maior presente que ela já me deu foi o Fillippo, só que eu não contava que seria tão perfeito ao ponto de ter o mesmo sorriso da mãe! 

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