Acolhimento a viúvas e viúvos: seg. a sexta das 08h às 12h
Rua Barão de Paranapanema, n. 146, Bloco B, Sala 62, Bosque, Campinas - SP

Depoimento Darlene

Meu nome é Darlene, moro em Valinhos, 42 anos, viúva há 1 ano e 4 meses e um filho de 7 anos.

Estou passando para dividir um pouco com vocês tudo que eu passei e ainda estou passando e com isto tentar ajudar de alguma maneira.

Abril de 2017 tudo lindo, caminhando como todos os dias. Problemas corriqueiros, casa, família, dinheiro… como qualquer pessoa comum. Quando de repente, de um segundo para o outro na madrugada do dia 21/04 meu marido enfarta. Fulminante!

Dormi casada e acordei viúva. De repente, de um segundo para o outro. Meu filho foi dormir (5 anos na época), deu boa noite para o pai e pronto, nunca mais o viu.

Ali começaria uma vida que eu nem nos meus piores sonhos poderia imaginar. Fases, desesperos, ódio, raiva, revolta… Enfim, os dias começaram….

Até o final de abril (uns 10 dias), fiquei em SP na casa do meu pai, com meu filho e perto dos meus irmãos (perdi minha mãe com 14 anos).

Começo de maio, voltei para casa, para o trabalho. Meu filho retomou a escola (que parte doida).  A rotina, as obrigações foram voltando, mas acompanhadas de pânico, medo, desespero.

Um buraco foi se abrindo e eu fui caindo nele. Meu filho começou a ter crises de bronquites uma atrás da outra, eu achando que minha vida tinha acabado. Que não conseguiria levantar e tão pouco cuidar do meu filho.  Não conseguia ficar longe dele, qualquer tosse achava que algo muito grave aconteceria. O deixava na escola e ligava de 5 em 5 minutos para saber se estava tudo bem…

Já final de maio (40 dias), uma revolta com a vida, com Deus, com casais felizes. Porque eles e eu não? Porque comigo? Porque eu merecia aquilo? E isto me consumindo…. me deixando cada vez pior.  Fui ao psicólogo, psiquiatra…. Meu filho muito ruim, a ficha tinha caído que o pai não voltaria mesmo. Eu péssima por tudo que perdi, por ver meu filho daquele jeito, por não poder fazer nada para tirar a dor e o sofrimento dele, da falta que o pai estava fazendo…

Foi quando desisti, resolvi que largaria tudo e voltaria para SP para a casa do meu pai, mudar meu filho de escola, ficar sem emprego… e com este pensamento fiquei por quase 2 meses. Quando estava certo de eu ir (meio de julho), já com tudo pronto, mas rezando muito para que Deus me desse um sinal para saber se era a atitude tomar…. foi quando a empresa que eu trabalhava (ainda trabalho) fez uma proposta para eu ficar.

Pronto, voltei atrás, avisei na escola…. e fiquei. Continuei na casa dos meus sogros (estou até hoje). 1º passo dado. Ficar e continuar trabalhando, com a cabeça ocupada (sem imaginar que ainda pioraria).

Final de julho (3 meses), outra caída ou recaída. Desespero total, medo da vida, medo das pessoas, raiva de tudo. Fundo do poço!

O médico precisou me afastar uns dias do trabalho e mesmo assim…. nada de vontade de levantar, de melhorar. Os mesmos medos, dias de não enxergar a luz. Choro atrás de choro, emagrecendo (já neste momento 6kgs a menos).

Neste interim consegui voltar meu filho no pediatra que ele tinha que eu tanto confiava, e as coisas com ele começaram a ficar controladas. Crises, ansiedades, etc…

Ele melhor, medicado e cuidado, eu semanalmente na psicóloga, aparentemente as coisas estava começando a clarear.

Só aparentemente… final de setembro (5 meses), um simples dente (o primeiro do meu filho) que caiu, ou melhor precisou arrancar…. achei que eu morreria e ele também. Pânico com ele, pânico em não ter o pai para dividir este momento, pânico geral. Afff… não desejo para ninguém.

E os dias passando…..

Final de outubro, mais precisamente dia 20 (6 meses faria dia 21), chorando aos prantos no trabalho, quando chega uma mensagem no meu celular de um anjo. Anjo este, enviado através de um grupo de mães de campinas chamado “Mães Amigas”. Que souberam do meu caso e divulgaram para saber se tinha alguém ou conhecido de alguém que estivesse passando ou próximo do que eu estava.

– “Meu nome é Andreia, tenho 38 anos, um filho de 5 anos e um de 4 meses. Meu marido faleceu há 9 meses e estou aqui para te AJUDAR!!!”

Levei um choque… conta rápida… tem um filho de 4 meses e há só 9 o marido faleceu!?!?! (estava grávida de 5 meses). Com outro filho pequeno e querendo me AJUDAR!!! Como assim????

Esperei sair do trabalho e retornei a mensagem já perguntando se ela poderia me atender no telefone. Ela, rapidamente disse sim.

No auge do meu desespero a única coisa que eu queria saber dela: “Se estava passando pela mesma coisa, com filhos pequenos, como poderia e conseguiria me ajudar… como?

Perguntei, como você não entra em desespero, como está em pé?!”

Com uma voz doce, ela respondeu – “Não sei qual sua religião, mas você tem fé em Deus? Se sim, conversa com ele, diz que se ele te deu isto, se está passando por isto, então que ele te de a mão e tire sua dor. Que te mostre o caminho pra você seguir em frente”. Acho que foi a última vez que chorei com tanto desespero, de faltar o ar, mas de emoção. De saber que não estava sozinha. Que meu filho não era o único.

…conheci mais duas viúvas que fizeram parte do meu progresso também. Uma já viúva há mais de 2 anos, mais jovem. A outra ficou viúva depois e já me viu como exemplo…. pois eu estava em pé.

Tenho muito a agradecer minha família também. Não me deixaram sozinha em momento algum. Meu pai e irmãos são minha força. Moro com meus sogros até hoje e isto me fortalece a cada dia.

Mas este telefonema, foi a mão que apareceu para me tirar do fundo do poço. Lugar este que eu cheguei e tive a certeza de que lá não queria ficar. Se ela estava disposta a me ajudar, eu também conseguiria ajudar lá na frente. Foi aí que comecei a melhorar. Tive vontade de viver de novo, de cuidar de mim para cuidar do meu filho. E assim estou até hoje… melhorando, vivendo e com muita vontade de ser FELIZ!! Saudades muitas…. tristeza não mais!

Este anjo é a fundadora deste lindo projeto.

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