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A maternidade e a viuvez

Por Andréia Baroni

A gravidez é sempre um momento de muitas emoções, alegrias, expectativas, planejamentos e era nessa fase maravilhosa que estávamos quando meu marido faleceu em um acidente automobilístico. Era a gravidez do nosso segundo filho e tudo aconteceu bem no meio do caminho, no dia em que completei 20 semanas.

E de repente, de um momento para outro, como num piscar de olhos todo o cenário se modificou, minha família não estava mais completa, tinha o Lu, meu filho mais velho, com 4 anos e 7 meses e grávida do segundo, a primeira coisa que pensei foi “E agora, como vou fazer pra dar conta de dois sozinha? Como vou seguir sem o grande amor da minha vida?” Essas perguntas ficaram em minha mente e no meu coração por bastante tempo.

Os meses seguintes foram muito difíceis, muitos sentimentos novos para lidar, muitas atitudes a tomar e nessa fase aguda do luto, não conseguia pensar em nada, os pensamentos não eram conexos, mas devagar, com paciência, apoio da família, apoio psicológico, dos amigos, dos conhecidos… enfim, recebi apoio de tanta gente, que tudo foi amenizando.

Quatro meses e seis dias após receber a pior notícia da minha vida, chegou o meu doce e lindo Gab, quanta emoção, quanto amor, quanta alegria ele devolveu pros meus dias, e hoje, posso afirmar que embora as pessoas pensem que as dificuldades foram ainda maiores por estar grávida, digo que foi ao contrário, pois ele me fortaleceu a cada dia, eu comia por ele, dormia por ele, levantava todos os dias e tentava me manter bem por ele, afinal meu bebê sentia tudo que eu sentia… mas os méritos também são do Lu, que esteve ao meu lado, me dando força e me mostrando com a maturidade dos seus quase 5 anos que tudo iria ficar bem. E pelos meus dois filhos lindos me mantive firme e tenho seguido adiante.

Agora já se passaram 1 ano e 11 meses desde que tudo aconteceu e posso afirmar que os meus filhos são os melhores presentes que meu marido poderia ter me deixado, são frutos de uma linda história de amor… sinto muitas saudades e acredito que sentirei pra sempre, mas não sinto mais tristeza, tanto eu quanto meus filhos estamos vivos e merecemos viver da melhor forma possível e ser felizes… a vida é curta demais pra ser vivida com lamentações.

A mensagem que gostaria de deixar para outras mães que perderam seus companheiros é “lute cada dia para estar bem por vocês e por seus filhos, não se preocupe com o julgamento dos outros, se você tem uma criança em casa, o entendimento dela em relação a morte é diferente das regras da nossa sociedade. Quebre as regras e viva os momentos com seus filhos, mas não se esqueça de vivenciar o seu luto, permita-se a procurar ajuda profissional para aprender a lidar com os sentimentos novos e tenha a certeza que o tempo é o melhor remédio e essa dor aguda um dia vai passar.”

Em quanto tempo vai passar? Essa resposta é individual, cada um tem seu tempo!

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