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A Experiência de Perder Alguém que Amamos

Apesar de nós todos sabermos que a morte vai acontecer em algum momento, ela é uma experiência difícil porque gera em nós uma impotência enorme. Percebemos que não controlamos nosso futuro e nos damos conta de que a vida pode mudar de uma hora para outra, sem aviso prévio. Nada nos prepara de verdade para a vivência de perder alguém que amamos.

Quando falamos de morte, nós falamos de luto, de vínculos e de amor. Viver um processo de luto é aprender a amar em separado. Não se trata de esquecer. Não se trata de virar a página. Trata-se de se adaptar a um mundo sem a presença do ser amado. Independente de quem se foi, o mais difícil é saber como lidar com a perda e de que forma continuar a viver sem aquela referência.

Não dá para se levar a vida exatamente do mesmo jeito de antes depois de uma perda tão significativa. Algumas revisões são feitas. Significados que você atribuía à vida, às relações, são repensados, são checados, são reavaliados.

A morte de alguém querido abala aquilo que chamamos de nosso “mundo presumido”, o mundo tal qual o conhecemos. É nosso mundo presumido, nosso mundo conhecido, que nos traz a sensação de estabilidade, de controle, de segurança e de previsibilidade.

A morte rompe com essa previsibilidade, abala tudo o que sabíamos sobre nós e sobre o mundo, e gera uma grande sensação de insegurança e um grande esforço de se retomar o controle da vida. A dor do luto é a dor da mudança.

O tempo dessa experiência não é pré-definido. Luto dura o tempo que for necessário para você dizer o que foi isso que aconteceu na sua vida e como você está agora. Essa resposta pode vir por vários caminhos: pela religião/religiosidade, pela ciência, pela benemerência, pelo autoconhecimento. Mais importante que o caminho é que ele seja legitimamente seu.

Antigamente se falava muito em “fases do luto” (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação). Mas, além de ser um processo único e individual, o luto não é uma experiência linear. Hoje eu posso acordar bem, mas no meio do dia, uma lembrança me deixa triste. Eu posso ter tido uma semana difícil, mas o sábado se torna mais leve e agradável.

Hoje nós falamos sobre um processo que oscila entre dois polos. Há momentos em que estou mais voltado para minha dor, minha saudade, meus questionamentos, para a revisão das minhas crenças. E há momentos em que estou mais voltado para a restauração da minha vida. É quando eu cuido do meu trabalho, da minha casa, das minhas contas, dos meus outros relacionamentos.

Nossa cultura tende a ver as demonstrações de tristeza e reclusão como amor à pessoa perdida. Mas amar também reside no descanso dessa dor. Esse descanso é uma recarga de energias para a possibilidade de se reinvestir na vida. Por isso que os dois movimentos fazem parte do processo de luto.

Quando eu vivo minha dor e percebo que dou conta de vivê-la, eu me fortaleço para ir para a vida e cuidar de outras coisas. Quando eu vou para a vida e percebo que dou conta do meu trabalho, da minha família, eu me fortaleço para viver minha dor.

O importante é sabermos que luto não é doença: é um processo normal e esperado diante do rompimento de um vínculo importante. É o processo que irá nos ajudar a integrar essa experiência tão dolorida em nossa biografia, para vivermos nossa vida aceitando a realidade, não brigando com ela.

E mais importante ainda: o luto não existe para nos esquecermos de quem partiu. A memória do que vivemos é nosso tesouro.

Por Ivana Tolotti

Psicóloga Especialista em Lutos e Perdas

Co-fundadora do Flor de Cerejeira Instituto de Psicologia

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